Jack Black e Michael Cera contam a história do mundo em "Ano Um"
Há menos Harold Ramis e mais Judd Appatow em "Ano Um", comédia estrelada por Jack Black e Michael Cera que chega às telas brasileiras no dia 14 de agosto. O UOL Cinema assistiu à primeira apresentação para a imprensa do filme, antes mesmo dos astros do filme. Black e Cera vivem a dupla Zeh e Oh, um caçador e um agricultor de uma tribo pré-histórica que se deparam com a História com H maiúsculo depois que o primeiro resolve comer o fruto da Árvore da Sabedoria. As referências bíblicas explodem na tela, com Caim, Abel, Sodoma, Gomorra e Hank Azaria (o faraó com problemas de dicção em "Uma Noite no Museu 2") brilhando como um Abraão obcecado em circuncidar os pênis de todos os homens do planeta. Zeh e Oh escapam desta armadilha com a ajuda de Isaac, o pai do povo israelita, vivido pelo hilário Christopher Mintz-Plasse (o McLovin' de "Superbad"). Uma das muitas piadas incluídas pela dupla é a referência ao presidente Obama no momento em que a mensagem humanista do filme (bem ao estilo Appatow) é dada no fim da jornada do espalhafatoso Zeh (igualzinho a todos os outros personagens cômicos de Black) e do virginal Oh (meigo como todas as encarnações de Cera), quando o povo se liberta de deuses e governantes tirânicos ao "perceber que yes, we can!". Espere menos "Os Caça-Fantasmas" e "Feitiço do Tempo" (marcas registradas de Ramis) e mais "Zohan" e "Segurando as Pontas". (Eduardo Graça, Colaboração para o UOL, de Los Angeles)
A Universal divulgou nesta quarta (17) um novo cartaz de "Bastardos Inglórios", com os atores Brad Pitt, Eli Roth, Diane Kruger, Mélanie Laurent, Til Schweiger e Christoph Waltz, vencedor do prêmio de melhor ator em Cannes. O novo filme de Quentin Tarantino é uma releitura do italiano "Assalto ao Trem Blindado", de Enzo Catellari, que conta a história de um grupo de soldados americanos de origem judaica enviados a uma missão suicida. Brad Pitt faz o papel do tenente Aldo Raine, que organiza um grupo de soldados judeus para exterminar nazistas e espalhar o terror no front. O filme estreia no Brasil no dia 23 de outubro.
"Estava em depressão quando filmei 'Jean Charles'", diz Selton Mello
Selton Mello e Vanessa Giácomo em cena de "Jean Charles"
O ator Selton Mello afirmou que estava em depressão quando fez o personagem-título do filme "Jean Charles", sobre o eletricista mineiro morto por agentes britânicos em uma estação de metrô de Londres em 2005, que estreia no próximo dia 26 com 160 cópias em todo o Brasil. "Fiquei deprimido por motivos pessoais. Vivi uma grande dúvida sobre continuar ou não fazendo isso [ser ator], passar tanto tempo longe de casa e da família. Mas isso acabou ajudando a compor o Jean Charles. A solidão e a saudade que eu sentia devem ser algo parecido com o que ele sentiu".
Selton comentou a fase de superexposição que vive nos cinemas – "Jean Charles" estreia apenas três semanas depois da comédia romântica "A Mulher Invisível", que continua em cartaz. "Se eu tivesse controle, não programaria os dois para o mesmo mês. Ninguém gosta de superexposição. Quem me ama vai me adorar mais ainda, e quem me acha um zé mané vai me odiar ainda mais. Mas esses não precisam se preocupar, depois deste filme vou sumir por um bom tempo", brincou.
"Não quis fazer um filme sobre a morte do Jean Charles, mas sobre uma celebração da vida dele e das comunidades brasileiras no exterior", disse o diretor Henrique Goldman, que vive há 17 anos em Londres.
Diretor de um filme pouco conhecido, "Princesa", Goldman optou em "Jean Charles" por misturar atores profissionais (Selton, Vanessa Giácomo, Luís Miranda) com brasileiros que moram e trabalham em Londres. Essa mistura é a fraqueza e a força do filme: se em algumas cenas nota-se o despreparo dos atores "amadores", a atuação espontânea deles e os planos abertos que mostram a agitação de Londres tornam o filme mais vivo e interessante.
Trailer de "Jean Charles"
Uma cena que aparece no trailer - Jean reagindo aos policiais, levantando-se de seu banco no metrô e perguntando "What’s the problem, man?!", antes de ser baleado - foi cortada da versão final a pedido do motoboy Alex, amigo de Jean, vivido no filme por Luís Miranda. Foi uma decisão ética e até jurídica, em nome da melhor reconstituição do fato, mas tirou a força da cena que deveria ser o clímax (ou um dos clímaxes) do filme.
A atuação sempre competente de Selton Mello segura bem "Jean Charles", mas quem brilha mesmo é Vanessa Giácomo (das novelas "Cabocla" e "Paraíso"), como a inocente prima Vivian, que acaba de chegar da pequena Gonzaga (MG) para a caótica Londres. Goldman filma quase sempre em plano aberto, mas é a ela que dedica os poucos closes do filme, mostrando a sua transformação de caipira em mulher madura, e encerrando "Jean Charles" numa boa cena em que Vivian supera simbolicamente o trauma da morte do primo. (Thiago Stivaletti, colaboração para o UOL)
Roteirista, autor dos roteiros de "Latitude Zero" e "Cabra-Cega" e ex-presidente da Autores de Cinema, uma das entidades de classe que reúne profissionais da área, Di Moretti tem como princípio se concentrar na sua área de atuação e nunca quis dirigir os próprios roteiros. Segundo ele, essa é uma maneira de sedimentar a idéia de que são necessários roteiristas profissionais para fortalecer o mercado e dar o exemplo para os pares. No entanto, essas convicções começaram a cair por terra quando Ricardo Aidar, da produtora Canal Azul, lhe fez uma proposta: roteirizar os filmes de uma tetralogia dedicada ao Corinthians. Corintiano roxo, Aidar gostaria que os principais envolvidos no projeto fossem tão apaixonados quanto ele.
Foi assim, um pouco relutante, que Moretti aceitou fazer a sua estreia na direção de longas-metragens com "23 Anos em 7 Segundos", primeiro filme de uma tetralogia dedicada ao Corinthians. Dirigido em parceria com o diretor de filmes publicitários Julio Xavier, o documentário, que entra em cartaz no dia 26 de junho (e chega às locadoras no dia 23 de julho), fala da paixão corintiana a partir do campeonato paulista de 1977, quando o time derrotou a Ponte Preta no terceiro jogo das finais com um gol suado de Basílio. Na verdade, faz parte de uma tetralogia que passa também pelo tetracampeonato brasileiro do Corinthias, pelo título mundial do time (o primeiro reconhecido pela Fifa) e culmina com o centenário do clube no próximo ano.
"No filme do tetra eu já estou trabalhando", disse Moretti, em entrevista exclusiva ao UOL Cinema. "Fiz o roteiro e provavelmente vou dirigir."
"23 Anos em 7 Segundos" foi construído com base nos números cabalísticos e recorrentes que giram em torno da conquista sacramentada no jogo de 13 de outubro de 1977. Além dos números estampados no título, há outras questões: o campeonato longo e a final muito disputada. "Tudo sofrido, como era comum aos corinthianos que viveram aquele período", diz o roteirista e diretor. "Além de ter que esperar 23 anos, a gente ainda teve que aguentar mais sete segundos - um tempo extenso numa situação dessas - para ver o gol acontecer."
O filme traz depoismentos de corintianos ilustres, como Washington Olivetto, Hortência, Rappin Hood; de jogadores célebres, como Neto e os quatro jogadores envolvidos no gol do título de 77. E resgata imagens importantes e inéditas, pesquisadas nos arquivos da Cinemateca Brasileira. Por ocasião do jogo, o cineasta Lael Rodrigues ("Bete Balanço") estava no campo com uma câmera 16 mms para fazer um filme sobre o Corinthians. E uma equipe de produção de Amauri Jr também estava registrando a final, só que com uma câmera 35 mms. "Uma equipe ficou de um lado do gol da Ponte e outra ficou do outro", explica Moretti. "Então, com as imagens captadas pelas tevês da época, nós conseguimos uma coisa inédita, que é mostrar o gol de todos os ângulos possíveis."
O próximo filme, dedicado aos campeonatos brasileiros do Corinthians de 1990, 1998, 1999 e 2005, já está em pré-produção. A idéia, nesse caso, é eleger como personagem de cada título um jogador simbólico e contar a história do título através dele. "Estamos em contato com alguns jogadores, como o Neto, que foi importante para a conquista de 1990", disse ele. O lançamento desse segundo filme está previsto para o fim do ano.
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